domingo, 2 de setembro de 2018

Os Navios de Cruzeiro Balançam?

Muitas pessoas dizem para os marinheiros de primeira viagem que os navios não balançam, que eles são tão grandes que você não vai sentir nada, que eles têm estabilizadores para eliminar 99% do balanço...
Mais estáveis que nunca eles estão, isso é verdade. Mas que eles não balançam não dá para afirmar. É bem verdade que durante grande parte do cruzeiro a gente nem sente mais o chão mexer, tanto porque o mar está calmo quanto porque o nosso cérebro já se acostumou com o movimento e passa a ignorá-lo. Mas saiba que o balanço, por menor e quase imperceptível que seja, sempre vai existir. Mas não se preocupe tanto com enjoos, leia esta publicação para se prevenir.

Estabilidade dos Navios

Fonte: naviearmatori.net/eng/foto-94441-4.html
Os navios foram durante muito tempo o único meio para atravessar os oceanos e fazer  viagens de longa distância. Na era dourada dos transatlânticos, do começo dos anos 1900 até a metade do século, as companhias investiam cada vez mais na construção dos maiores, mais luxuosos e mais rápidos transatlânticos do mundo.
Cada vez mais preocupadas em transportar os seus passageiros com o máximo em luxo, serviço e alimentação, as companhias estavam procurando um modo de diminuir o desconfortável balanço dos seus navios, principalmente quando eles estavam fazendo travessias pelo Atlântico Norte, algo que incomodava os refinados jantares. No ano de 1931 a armadora Società Italiana di Navigazione trouxe um equipamento que a diferenciou de toda a indústria da navegação: o Giroscópio. A bordo do Conte di Savoia, um navio para 2200 passageiros, foram instalados três deles. Os giroscópios funcionam como gigantes ventiladores que se inclinam de acordo com o movimento do navio, empurrando-o no sentido contrário ao do balanço.
O novo transatlântico foi um sucesso, conhecido como "O Navio Sem Balanço", passando a oferecer as viagens com o maior conforto entre todas as embarcações.

Fonte: rolls-royce.com
Atualmente os navios de cruzeiro, uma modificação dos transatlânticos para uma nova realidade de mercado, são equipados com estabilizadores muito menores e mais eficientes. Eles são duas ou quatro pequenas asas dos lados dos navios, tendo os Flaps, da aeronáutica, como inspiração para a sua criação. Para um avião virar para um lado e o outro essas pequenas asinhas móveis na ponta das asas se levantam ou abaixam para empurrar o ar para cima ou para baixo. Nos navios elas empurram a água, forçando-os para o lado oposto do balanço. Quando não estão sendo usados eles são retraídos, para diminuir a resistência da água, o que resulta em maior economia de combustível e uma maior velocidade.
O problema é que esses estabilizadores, assim como os giroscópios, só conseguem trabalhar contra o balanço lateral do navio; então eles eliminam até 99% do balanço, como dito lá no começo da publicação, mas só do balanço lateral. Ainda não conseguimos encontrar uma forma de anular aquele movimento de cima para baixo, mais sentido na popa e na proa.

Para reduzir um pouco esse balanço são instalados os chamados Duck Tails. Eles são uma extensão na parte de trás do navio, o que aumenta o tamanho do casco. Eles oferecem um melhor apoio do navio no mar e maior resistência para baixar a popa quando estiver balançando.
Os Duck Tails também são usados para aumentar a estabilidade do navio quando eles passam por uma reforma que adiciona peso nos andares superiores, como no Carnival Elation, por exemplo. Ter uma área de contato maior com o mar permite que ele não incline tanto mesmo com um centro de gravidade mais alto. Alguns Ferry Boats já adicionaram extensões laterais também.

Para o futuro... Não sei o que poderá ser feito para diminuir ainda mais ou até eliminar o balanço, mas certamente alguém vai aparecer com uma ideia nova. Ainda assim acredito que navios sem balanço seriam parte de uma realidade um pouco utópica, já que o chão deles, o mar, sempre está se movendo. Só as plataformas de petróleo, que são fixas no fundo do mar, ficam paradas mesmo no meio dos mares mais revoltos do mundo. Mas vamos ver. Por enquanto eu gosto mesmo é de sentir o balanço do mar, eu considero uma parte muito legal da experiência de fazer um cruzeiro. Se esse futuro utópico chegar eu vou sentir muita falta disso!

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